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Outubro Rosa: o diagnóstico precoce do câncer de mama e a esperança de maternidade com a oncofertilidade

O movimento Outubro Rosa surge a cada ano para lembrar a importância do diagnóstico precoce e do autocuidado no combate ao câncer de mama, a neoplasia mais frequente entre as mulheres no Brasil e no mundo, representando cerca de 29% dos casos no país. Para 2026, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 78,6 mil novos casos da doença no Brasil. Contudo, com os avanços da Medicina, receber esse diagnóstico em idade fértil já não significa renunciar ao sonho de ter filhos. Através da oncofertilidade, campo dedicado a preservar a capacidade reprodutiva de pacientes em tratamento oncológico, é possível planejar a maternidade futura com segurança.

“O meio ambiente mudou, a alimentação mudou. Hoje temos métodos diagnósticos que identificam a doença em estágios muito mais precoces. A população também está mais consciente sobre a importância do rastreamento. Ao compararmos os dados atuais com os de duas décadas atrás, a taxa de mortalidade diminuiu significativamente. A incidência parece maior porque diagnosticamos mais cedo, mas as chances de cura também são incomparavelmente maiores”, destaca a Dra. Hitomi Nakagawa, ginecologista e sócia do Centro de Assistência em Reprodução Humana Genesis.

No contexto do Outubro Rosa, a agilidade entre a detecção do tumor e o início da terapia antineoplásica é decisiva. Fatores como a idade da paciente, a reserva ovariana e o intervalo de tempo disponível até o começo da quimioterapia devem ser avaliados imediatamente. “Ao receber o diagnóstico e antes de dar início ao tratamento oncológico, a mulher deve procurar orientação médica especializada para congelar seus óvulos, garantindo a oportunidade de gestar com seu próprio material genético no futuro”, orienta a médica.

O procedimento envolve uma estimulação ovariana hormonal para a captação e posterior congelamento dos óvulos por vitrificação, técnica em que as células reprodutivas são mantidas em nitrogênio líquido a -196 °C.

“A dosagem hormonal utilizada nessa estimulação é substancialmente menor do que a quantidade de hormônios produzida ao longo de uma gestação natural. Uma gravidez eleva os hormônios a níveis muito mais altos e por um período bem mais longo, o que significa que o processo de estimulação ovariana geralmente não agrava o prognóstico da doença. É indispensável, porém, personalizar a conduta conforme a idade da mulher e o estágio do câncer”, esclarece a Dra. Hitomi.

A consolidação dessas técnicas trouxe mais tranquilidade às pacientes. “Por ser o óvulo a maior célula do corpo humano, o desenvolvimento de métodos eficientes de preservação levou tempo”, explica. Além do congelamento de óvulos, a vitrificação também permite a preservação de embriões e, no caso dos homens, de espermatozoides.

Embora indispensáveis e cada vez mais assertivos no combate às células tumorais, tratamentos como cirurgia, quimioterapia e radioterapia provocam impactos sistêmicos. Nas mulheres, essas abordagens podem reduzir drasticamente a quantidade de folículos ovarianos, resultando em alterações menstruais temporárias ou até na menopausa precoce. O nível do impacto varia conforme a idade, a dose, o tipo de medicação e a resposta individual do organismo.

A mensagem central do Outubro Rosa reforça que, quanto mais cedo o tumor for detectado, maiores são as taxas de cura e menores as sequelas ao organismo. Além de manter os exames preventivos em dia, a mulher deve ser estimulada a conhecer as nuances do próprio corpo por meio do autoexame, observando sinais como:

  • Nódulos ou caroços nas mamas, axilas ou pescoço;
  • Alterações no formato ou aspecto dos mamilos;
  • Mudanças na textura da pele da mama (como aspecto avermelhado ou de “casca de laranja”).

Qualquer alteração suspeita deve ser investigada por um profissional de saúde com o auxílio de exames como mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética.

Por fim, o Inca destaca que cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de um estilo de vida saudável, o que inclui a prática frequente de atividades físicas, uma alimentação equilibrada, o controle do peso corporal e a redução no consumo de bebidas alcoólicas. Cuidar da saúde hoje é o caminho mais seguro para proteger a vida e os projetos do amanhã.