Celebrado em 10 de outubro, o Dia Mundial da Saúde Mental reforça a importância do cuidado integral com a mente, um fator que vai muito além do bem-estar psicológico e reflete diretamente na saúde física, incluindo a capacidade reprodutiva. Estudos mostram que o estresse e a ansiedade não afetam apenas a rotina, mas podem se tornar barreiras reais para quem deseja ter filhos: segundo um levantamento do Instituto Valenciano de Infertilidade (IVI), cerca de 65% das mulheres encontram dificuldades para engravidar em decorrência de fatores emocionais.
De acordo com a Dra. Maria Eduarda Amaral, ginecologista e especialista em reprodução humana do Centro de Assistência em Reprodução Humana Genesis, os distúrbios emocionais desregulam funções fisiológicas vitais para a concepção. “O estresse emocional cria um ciclo vicioso: ele pode comprometer a fertilidade natural e, ao mesmo tempo, a própria jornada de tratamentos para a infertilidade costuma gerar um forte impacto psicológico”, alerta.
O impacto do desequilíbrio emocional se manifesta de forma concreta no organismo. A ansiedade crônica pode alterar o ciclo menstrual, afetando a duração, a intensidade do fluxo, a coloração e até o odor, além de provocar a diminuição da libido, reduzindo a frequência de tentativas e interferindo no processo reprodutivo.
Pesquisas reforçam essa relação. Um estudo publicado na revista científica Fertility and Sterility revelou que níveis elevados de estresse aumentam consideravelmente o risco de anovulação (ausência de ovulação). “Essas alterações não significam necessariamente a interrupção total do ciclo, mas causam menstruações irregulares, sangramentos fora do período ou atrasos prolongados, sinais claros de que a função ovulatória foi afetada”, explica a médica.
Por trás desse processo está a resposta hormonal do corpo ao estresse crônico. Quando o organismo permanece sob sobrecarga emocional, ocorre um pico na liberação de cortisol. Esse hormônio interfere na produção do GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina), essencial para disparar as substâncias que regulam os ovários e garantem a ovulação saudável.
Neste Dia Mundial da Saúde Mental, o convite é para a prevenção e para o autocuidado. Adotar hábitos que ajudem a gerenciar as tensões diárias é indispensável para proteger tanto a saúde psíquica quanto a reprodutiva:
- Atividade física regular: auxilia na regulação hormonal e na redução do estresse.
- Práticas de desaceleração: meditação e exercícios de respiração ajudam a desacelerar a mente.
- Acompanhamento especializado: terapia com profissionais de saúde mental e participação em grupos de apoio oferecem suporte acolhedor.
A Dra. Maria Eduarda ressalta que reconhecer a necessidade de ajuda é o primeiro passo. “Muitas mulheres tentam carregar o estresse sozinhas, o que pode agravar quadros psicológicos e comprometer ainda mais o organismo. Como o estresse crônico afeta o corpo de forma sistêmica, cuidar da mente é a melhor estratégia de prevenção”, conclui.



