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Dezembro Vermelho: como as IST podem impactar a fertilidade?

Com a chegada do Dezembro Vermelho, criado para alertar a população sobre a importância da prevenção e do tratamento das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), convidamos a ginecologista e especialista em reprodução humana do Centro de Assistência em Reprodução Humana – Genesis, Dra. Maria Eduarda Amaral, para falar sobre os impactos delas na fertilidade.  

Segundo a médica, um dos maiores problemas é o fato de que parte dessas infecções não apresenta sintomas aparentes imediatos, como é o caso do vírus HIV, que, segundo o Ministério da Saúde, foi diagnosticado em cerca de 904 mil pessoas em 2023. “São doenças silenciosas. Muitas pessoas acabam não procurando o tratamento adequado por não saber que estão com alguma IST. Por isso, o quadro se agrava e, por consequência, pode causar a infertilidade da pessoa”, diz. Nesse contexto, ela recomenda o uso das técnicas de reprodução assistida (RA) para realizar o sonho de ter filhos dos pacientes.

A especialista afirma que, no aparelho reprodutor do sexo masculino, as ISTs podem afetar a uretra, próstata e epidídimo, consequentemente interferindo na qualidade seminal. Já para as mulheres, a região prejudicada é a da tuba uterina, trajeto por onde os espermatozoides passam durante a fecundação do óvulo.

Ao falar das pessoas portadoras do vírus HIV, a Dra. Maria Eduarda, reconhece que a patologia em si não causa infertilidade. Porém, há a possibilidade de o vírus ser transmitido para o feto ou ao parceiro.. “Por isso, é necessário o uso adequado da terapia antirretroviral, de modo a manter a carga viral indetectável. Mesmo assim, vale destacar que existem outras doenças que podem afetar a infertilidade, direta ou indiretamente, como a sífilis, a clamídia e a tricomoníase”, comenta.

 Infertilidade Global – De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as ISTs são responsáveis por 25% das causas de infertilidade no mundo. Por isso, a ginecologista recomenda o uso de preservativos como melhor opção para se prevenir. “Para quem quer ter filhos, também é importante realizar exames de triagem para gonorreia, clamídia, sífilis, hepatite, e HIV. Eventualmente, de acordo com a indicação personalizada. Mesmo que a pessoa não tenha sintomas, ela pode estar sendo acometida”, conclui a Dra. Maria Eduarda Amaral.