O diagnóstico de infertilidade afeta muito mais pessoas do que se imagina. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 17,5% da população adulta global, o que representa entre 50 e 80 milhões de indivíduos no mundo, convive com dificuldades para conceber. Para jogar luz sobre o tema, a campanha Junho Laranja dedica o mês à conscientização e ao combate a esse problema.
Segundo a ginecologista e especialista em reprodução humana do Centro de Assistência em Reprodução Humana – Genesis, Dra. Hitomi Nakagawa, a principal ferramenta contra a infertilidade é o conhecimento. “A obtenção de informações seguras com bases científicas relacionadas à saúde reprodutiva e às opções de tratamento para a infertilidade, por meio de profissionais sérios e experientes, pode evitar que os casais afetados pelo problema percam a oportunidade de ter seus próprios filhos biológicos”, ressalta.
Com o avanço da internet, ruídos e desinformações sobre a fertilidade se espalham facilmente, desorientando os pacientes. Um dos maiores mitos, por exemplo, é o de que a infertilidade seria uma exclusividade feminina. A Dra. Hitomi esclarece que a responsabilidade é igualmente compartilhada:
Fator Feminino: Responsável por 35% dos casos.
Fator Masculino: Responsável por 35% dos casos.
Fatores Combinados (ambos): Representam 20% dos casos.
Infertilidade Sem Causa Aparente (ISCA): Cerca de 10% permanecem sem diagnóstico definido.
“Apesar disso, a maioria dos casos é tratável, desde que diagnosticado e acompanhado por profissionais qualificados”, avalia a médica.
Outro ponto crítico debatido neste Junho Laranja é o adiamento programado da gravidez. Nas mulheres, o relógio biológico cobra o seu preço especialmente após os 35 anos, quando ocorre uma queda acentuada na quantidade e na qualidade dos óvulos, além do aumento dos riscos de abortamento e síndromes genéticas.
No entanto, a especialista faz um alerta crucial: a idade paterna também precisa entrar nessa equação. “Muito se debate sobre as repercussões negativas da idade da mulher sobre a fertilidade e a saúde da prole. Porém, existem graus semelhantes de associação da idade do homem e efeitos adversos sobre a saúde dos filhos, como problemas neurológicos e outras doenças”, adverte a Dra. Hitomi.
A investigação precoce pode mudar o desfecho de um tratamento. Mulheres com histórico de menstruações irregulares, endometriose, infecção pélvica prévia ou Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) não devem esperar para consultar um especialista.
Para os casais em geral, o momento de acender o sinal de alerta e buscar apoio médico é após um ano de tentativas frustradas (ou seis meses, caso a mulher já tenha mais de 35 anos).
Superar o medo do diagnóstico é o primeiro e mais importante passo. A medicina reprodutiva evoluiu para oferecer respostas personalizadas a cada história. “Muitos casais chegam ao consultório com medo da infertilidade e frustrados após alguns meses de tentativas, sem saber que ainda há muitas alternativas pela frente e que, na maioria dos casos, a gravidez será alcançada com uma ajudinha menor ou maior da medicina, ou mesmo com as técnicas de reprodução assistida”, conclui a ginecologista.



