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Nunca é tarde para ser mãe: como a reprodução assistida pode ser aliada na realização deste sonho

Neste ano, o Dia das Mães encontra um cenário de profunda transformação nas famílias brasileiras. Se antes a maternidade era vista como um evento do início da vida adulta, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela um retrato diferente de hoje: em pouco mais de uma década, o número de mulheres que se tornaram mães após os 40 anos aumentou em 65,7%.

Essa mudança de comportamento reflete a busca da mulher atual por estabilidade financeira, amadurecimento emocional e consolidação na carreira. No entanto, o desejo de adiar a gravidez encontra um limite biológico que exige estratégia e acompanhamento especializado.

De acordo com a Dra. Maria Eduarda Amaral, ginecologista com foco em reprodução humana do Centro de Assistência em Reprodução Humana – Genesis, a gestação é considerada “tardia” a partir dos 35 anos. “A decisão de adiar a gravidez está cada vez mais ligada a fatores como o foco na carreira e o desejo de estabilidade. Mas é preciso atenção, pois a reserva ovariana diminui em quantidade e qualidade com o tempo. As mulheres já nascem com todos os óvulos que terão. Ao contrário dos homens, elas não os produzem continuamente; esses óvulos envelhecem conosco”, explica a médica.

Adiar a maternidade não é impossível, mas requer consciência sobre os riscos envolvidos. A partir dos 35 anos, as chances de aborto espontâneo saltam de 15% para 25%, chegando a alarmantes 90% após os 45 anos. Além disso, o risco de anomalias cromossômicas no bebê, como a Síndrome de Down, aumenta cerca de 20 vezes quando comparamos uma mãe de 30 anos com uma de 40.

Principais riscos para uma gestação tardia:

Para a mãe: Maior incidência de diabetes gestacional, hipertensão, pré-eclâmpsia e problemas na placenta.

Para o bebê: Riscos de malformações de origem genéticas inclusive cardíacas, prematuridade e baixo peso ao nascer.

A boa notícia é que o avanço tecnológico permite que o sonho seja realizado com segurança. O planejamento reprodutivo, idealmente iniciado por volta dos 30 anos, oferece alternativas como a criopreservação (congelamento de óvulos). “Trata-se de um recurso importante para quem quer ter a possibilidade de ser mãe mais tarde sem depender exclusivamente da sorte”, afirma a Dra. Maria Eduarda.

Além do chamado “congelamento social”, a técnica é vital para pacientes oncológicos que desejam preservar a fertilidade antes de tratamentos agressivos. Para aquelas que já decidiram engravidar e encontram dificuldades, tratamentos de reprodução assistida oferecem o suporte necessário, desde a avaliação do histórico familiar até o acolhimento humanizado.

Estilo de vida – A Dra. Maria Eduarda ressalta que a genética não é a única responsável: o estilo de vida pode acelerar ou proteger a fertilidade. “É preciso cuidar da saúde física e emocional. Alimentação equilibrada, exercícios e o abandono do tabagismo são atitudes que contribuem diretamente para uma gestação mais segura”, orienta.