Genesis

Outubro Rosa: diagnóstico de câncer não representa o fim do sonho de construir uma família

O Outubro Rosa é um mês de conscientização e prevenção, principalmente em relação ao câncer de mama e de colo do útero. Estima-se que, em 2025, o Brasil registre 73,6 mil novos casos de câncer de mama, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). O Ministério da Saúde destaca que, em nosso país, cerca de 28% dos diagnósticos de câncer nas mulheres estão relacionados a esse tipo de tumor.

Apesar da gravidade de um diagnóstico de câncer, ele não representa o fim do sonho de construir família. A reprodução assistida, especialmente a oncofertilidade, surge como uma poderosa aliada nesses momentos. Dedicada a preservar a fertilidade de pacientes diagnosticados com câncer, a oncofertilidade permite que, mesmo após tratamentos agressivos como quimioterapia e radioterapia, seja possível ter filhos.

De acordo com a ginecologista Dra. Maria Eduarda Amaral, da Genesis – Centro de Assistência em Reprodução Humana, a preservação da fertilidade é uma opção fundamental para muitas mulheres que enfrentam um diagnóstico de câncer. “Com o avanço das técnicas de reprodução assistida, hoje é possível garantir a possibilidade de gestação mesmo após tratamentos que afetam a função ovariana”, comenta.

O momento de buscar orientação médica especializada em reprodução assistida deve ser  antes de iniciar qualquer tratamento oncológico. A Dra. Maria Eduarda Amaral ressalta que “existem diversos estudos que comprovam a segurança do processo de estimulação ovariana, sendo que esse método pode ser realizado antes de iniciar a quimioterapia ou a radioterapia”. O processo de preservação da fertilidade geralmente começa com a estimulação ovariana, onde hormônios são administrados para estimular a maturação de óvulos. 

Após a estimulação, os óvulos são coletados e congelados através de um processo chamado vitrificação, que consiste em submeter os óvulos a temperaturas extremamente baixas para preservá-los sem danos. Esse procedimento, junto a outras técnicas como o congelamento de embriões e de tecido ovariano, possibilita que a mulher tenha a chance de engravidar no futuro.

Os tratamentos de câncer, como a quimioterapia e a radioterapia, podem ter impactos negativos na fertilidade, tanto em homens quanto em mulheres. No caso das mulheres, esses tratamentos podem reduzir a quantidade e a qualidade dos óvulos, provocando desde a suspensão temporária da menstruação até a menopausa precoce. A Dra. Maria Eduarda comenta que o impacto desses tratamentos na fertilidade depende de diversos fatores, como a idade da paciente, o tipo de medicação utilizada e a intensidade do tratamento.

O câncer de mama tem diversas causas, de modo que fatores como histórico familiar, idade, obesidade e exposição a radiações podem aumentar o risco de desenvolvimento da doença. Mesmo que nódulos endurecidos e indolores sejam os principais sinais de alerta para o câncer de mama, a mamografia continua sendo a melhor ferramenta para diagnóstico precoce. “O diagnóstico precoce é a chave para um tratamento eficaz, aumentando consideravelmente as chances de cura”, enfatiza Dra. Maria Eduarda.

A médica também alerta sobre a importância da detecção precoce e da autoavaliação: “Conhecer o próprio corpo e estar atenta a qualquer alteração é fundamental. E é importante lembrar que homens trans também estão sujeitos ao risco de câncer de mama e, embora mais raro, os homens cis também podem ser afetados, correspondendo a 1% dos casos”, conclui.