Agrotóxicos e pesticidas podem prejudicar fertilidade

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Agrotóxicos e pesticidas podem prejudicar fertilidade

9 de setembro de 2019

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Harvard apontou que o consumo de pesticidas pode reduzir a fertilidade em mulheres. Publicado na revista Jama Internal Medicine, o estudo mostra que mulheres que comem duas ou mais porções diárias de frutas e vegetais contaminados por pesticidas têm uma probabilidade 18% menor de engravidar e 26% menos chances de dar à luz um bebê vivo.

Outra pesquisa, realizada no ano passado pela Shanghai Jiao Tong University School of Medicine, analisou os efeitos de exposição a pesticidas – organofosforados e piretroides – durante a pré-concepção e as consequências que isso teria na fertilidade de casais planejando ter filhos em Xangai, China. Os resultados apontam que mulheres com maior exposição pré-concepcional aos pesticidas demoraram mais tempo para engravidar.   

Estudos prévios conduzidos em animais já comprovaram os efeitos adversos desses pesticidas nas funções reprodutivas femininas, incluindo inibição de hormônios esteroides, alteração de ciclos e restrição de células foliculares, o que pode levar à infertilidade. 

“Algumas substâncias químicas, como pesticidas, solventes e derivados do plástico, atuam como disruptores endócrinos: eles mimetizam a ação dos nossos próprios hormônios. Com isso, todo nosso eixo hormonal pode ficar desregulado e acarretar distúrbios ovulatórios. Também há teorias de que esses disruptores endócrinos possam causar síndrome de ovário policístico e endometriose, mas esses estudos ainda são inconclusivos”, explica Marina Barbosa, médica e ginecologista da Genesis. 

BRASIL – Em 2019, o governo brasileiro autorizou o uso de mais 239 tipos de pesticidas. Ao todo, são mais de 2 mil agrotóxicos licenciados para uso nas lavouras brasileiras. Ao todo, são mais de 2 mil agrotóxicos licenciados para uso nas lavouras do país.

“Estudos demonstram que mulheres do campo podem apresentar uma menor taxa de fecundabilidade, ou seja, demoram mais para engravidar, e que os homens podem ter diminuição na qualidade e na quantidade do sêmen”, salienta a Dra. Barbosa.

Entre 2014 e 2017, foi encontrado um coquetel de diferentes agrotóxicos na água de uma em cada quatro cidades brasileiras. Nesse período, as empresas de abastecimento de 1.396 municípios detectaram 27 pesticidas. Desses, 16 são classificados pela Anvisa como extremamente ou altamente tóxicos e 11 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas, como câncer, malformação fetal e disfunções hormonais e reprodutivas. 

Os dados são do Ministério da Saúde e foram obtidos e tratados em investigação conjunta da Repórter Brasil, Agência Pública e a organização suíça Public Eye. As informações integram o Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua).

Diante desse quadro, como minimizar os efeitos de tantas substâncias? “Com relação às pessoas do campo: oferecendo orientação e educação correta, informando sobre os riscos de atrasar a gravidez, e realizar exames para verificar a função ovariana e a regularidade do ciclo. Já para a população em geral não há recomendação específica, mas podemos aplicar os mesmos conselhos dados às mulheres do campo e, se possível, priorizar o consumo de alimentos orgânicos ao máximo”, aconselha a Dra. Marina Barbosa.

Por Gabriela Brito Conversa – Estratégias de Comunicação Integrada

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